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ARTIGO – Planejamento, Governança e Gestão de Recursos Hídricos

Luis Fernando Silva
Economista. Secretário de Estado de Programas Estratégicos

 

O Rio Itapecuru é um dos mais importantes do Maranhão, além de ser o maior rio genuinamente maranhense. Ao longo de seus, aproximadamente, mil quilômetros de extensão existem, pelo menos, 55 cidades que se aproveitam diretamente dos seus benefícios. A estimativa é que em sua bacia hidrográfica residam pelo menos 1 milhão de pessoas, e além disso, o rio é o principal abastecedor da Região Metropolitana da Grande São Luís, fornecendo água para quase todos os ludovicenses.

Portanto, uma obra com estudos sobre o Itapecuru tem um imenso valor para o nosso Estado. E foi pensando nisso que o Instituto Maranhense de Estudos Socioeconômicos e Cartográficos (Imesc), autarquia vinculada à Secretaria de Estado de Programas Estratégicos, lançou, na última quinta-feira (11), o livro “Mais Itapecuru: subsídios ao planejamento e à gestão de recursos hídricos”.

Com textos de 28 pesquisadores de seis instituições distintas, a obra busca compreender as principais interações entre sociedade e natureza e fornece subsídios para o planejamento, governança e gestão de recursos hídricos. Os estudos também buscam contribuir para a reestruturação das estratégias de planejamento e gestão ambiental e territorial, com base nas ações integradas que orientem análises, diagnósticos, planejamentos, gerenciamento e monitoramento.

É interessante notar que a obra trata, além dos aspectos ligados diretamente aos recursos hídricos, sobre a socioeconomia da Bacia do Itapecuru, afinal, rio e humanidade, em certos aspectos, chegam a se fundir em um único ser caudaloso e comunitário. Ainda assim, mesmo nessa simbiose vital, a parte mais fraca sempre acaba pagando. Às vezes, essa parte é o rio, já em outras, é o ser humano. Por isso, a necessidade de uma gestão integrada dos recursos hídricos, fato que este livro aborda muito bem, encaminhando propostas que viabilizam a ampliação da proteção do ecossistema hídrico, mas sem criar obstáculos ao desenvolvimento econômico.

E este desenvolvimento deve vir com a retomada de investimentos em infraestrutura na região, como a construção do distrito siderúrgico entre Bacabeira e Rosário e a implantação de uma refinaria de petróleo. Fatos que também são explorados no estudo.

Por fim, a obra ainda cobre uma lacuna no estudo da história maranhense, ao fazer uma síntese sobre a arqueologia da bacia do Itapecuru e sistematizar o conjunto de informações relacionadas com os sítios arqueológicos existentes à margem das águas e os registros rupestres, em rochas, cavidades, cavernas, abrigos, paredões, dentre outros.

As pesquisas que compõem o livro “Mais Itapecuru” ainda podem subsidiar o zoneamento, planejamento e gestão ambiental e territorial, colaborando para as políticas de desenvolvimento sustentável da bacia hidrográfica.

A água é o recurso mais importante do planeta e, por mais incrível que pareça, ainda temos problemas em cuidar e gerenciar esse bem tão valioso. E procurar entender a questão em todas as suas matizes, a começar pelos nossos rios, é tarefa fundamental para preservar essa riqueza e garanti-la para as futuras gerações.

Pela grande iniciativa, parabenizo o Imesc, a sua equipe de pesquisadores e especialmente, o organizador da obra, o MSC Professor José Ribamar Carvalho dos Santos.

Recomendo a leitura.

(ARTIGO PUBLICADO NA EDIÇÃO DO JORNAL O IMPARCIAL DO DIA 14 DE JULHO DE 2019)

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